Lábio leporino: O que é, causas e tratamento no Brasil

Lábio Leporino

A fissura labial e a fenda palatina, conhecidas popularmente como lábio leporino, são malformações congênitas que ocorrem durante o desenvolvimento do embrião. Atualmente afetam um em cada 700 nascimentos, e são mais comuns entre os asiáticos e determinados grupos de índios americanos. No Brasil, a prevalência varia de 0,47 e 1,54 a cada 1.000 nascidos vivos.

Quanto à frequência dessas anomalias, alguns estudos demonstram que 25% dos bebês sofrem de fenda palatina, 25% de lábio leporino, e 50% de ambos. Tanto o lábio leporino como fenda palatina, podem desenvolver-se separadamente ou ao mesmo tempo.

Quais as causas afinal?

Existem alguns fatores que podem contribuir para a formação das fissuras labiopalatinas:

  • Infecções congênitas (rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, herpesvírus, HIV);
  • Deficiência de ácido fólico;
  • Diabetes gestacional;
  • Hipotireoidismo;
  • Hipertensão arterial;
  • Uso de certos medicamentos (anticonvulsivantes, corticoides, benzodiazepínicos, isotretinoína (roacutan usado no tratamento de acne e rejuvenescimento);
  • Deficiência nutricional da gestante;
  • Fumo;
  • Álcool;
  • Estresse;
  • Drogas ilícitas;

Existe uma classificação para as fissuras?

A classificação mais utilizada desse modo para tipificar as fissuras labiopalatinas é a de Spina:

  • Fissura pré-forame incisivo: São as fissuras labiais unilateral, bilateral e mediana;
  • Fissura transforame incisivo: São as de maior gravidade, unilaterais ou bilaterais. Atingem lábio, arcada alveolar e todo o palato;
  • Fissura pós-forame incisivo: São fissuras palatinas, em geral medianas, que podem situar-se apenas na úvula ou nas demais partes do palato duro e mole.

Classificação lábio leporino

  • A) Fissura pré-forame unilateral incompleta;
  • B) Fissura pré-forame bilateral incompleta;
  • C) Fissura pré-forame unilateral completa;
  • D) Fissura pré-forame bilateral completa;
  • E) Fissura transforame unilateral;
  • F) Fissura transforame bilateral;
  • G) Fissura pós-forame completa;
  • H) Fissura pós-forame incompleta;

O diagnóstico

A ultrassonografia tornou assim possível fazer o diagnóstico das fendas labiopalatinas a partir da 14ª semana de gestação. Nessa fase, o importante é tranquilizar os pais, fornecendo informações sobre as possibilidades de tratamento, e esperar a criança nascer. Grande parte dos diagnósticos, porém, continua sendo realizada depois do parto.

O tratamento

Atualmente a recomendação é corrigir a fissura labial cirurgicamente nas primeiras 24h a 72h depois do nascimento para reconstituir o lábio superior e reposicionar o nariz, pois quase sempre existe um desabamento da asa do nariz, por falta de apoio do músculo que está solto daquele lado.

Esquema simplificado da reabilitação das fissuras labiopalatinas

Nos casos de fissura palatina, só por volta de um, dois anos, a criança deve então iniciar a reconstituição cirúrgica do céu da boca. O fechamento completo é realizado em etapas, a fim de assegurar a integridade óssea e a funcionalidade da musculatura da oclusão, assim como para evitar a deficiência de respiração e a voz anasalada.  Enquanto esperam pelo final da reconstituição, as crianças usam um aparelho ortodôntico, que cobre a fenda palatina e permite que se alimentem.

Na verdade, o tratamento é longo. Começa então no recém-nascido e termina com a consolidação total dos ossos da face, por volta dos 17-18 anos. Durante todo esse tempo, os portadores de fissuras oronasais (boca e nariz) devem ser acompanhados por especialistas em diferentes áreas, especialmente por cirurgiões plásticos, fonoaudiólogos e ortodontistas.

Onde buscar atendimento especializado no Brasil?

No Brasil, há 28 estabelecimentos de saúde credenciados no SUS (Sistema Único de Saúde) para esse tipo de atendimento. O centro de referência nacional é o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP).

É portanto pioneiro em suas áreas de atuação e consolidou-se como centro de referência no tratamento das anomalias congênitas craniofaciais, síndromes associadas e deficiências auditivas.

Dica para os pais

Fiquem tranquilos. A rejeição, a negação e o sentimento de culpa por exemplo são normais no primeiro momento. Com ajuda profissional vocês e seu bebê terão uma vida totalmente normal, saudável e feliz.

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