Óxido nitroso em odontologia: funciona?

Óxido nitroso e a odontologia

A utilização do óxido nitroso em odontologia tem sido muito útil tanto ao profissional quanto ao paciente. O controle do medo e da ansiedade tem sido alvo cada vez mais de atenção e estudos científicos. Lidar com situações estressantes como em atendimentos na área de cirurgia buco maxilofacial, implantodontia, odontopediatria e pacientes com necessidades especiais requer cuidados adicionais.

A sedação consciente foi definida pela ADA (American Denta Association) em 1997 como uma “depressão mínima do nível de consciência do paciente que não afeta sua habilidade de respirar automática e independentemente e de responder apropriadamente à estimulação física e ao comando verbal, e que é produzida por método farmacológico, não farmacológico ou pela combinação deles”.

Segundo essa definição, o paciente consciente é então “aquele que tem intacto seus reflexos protetores, incluindo sua habilidade de respirar, e que é capaz de responder à pergunta e ao comando verbal”. Pode ser realizada através do uso de fármacos sedativos administrados por:

  • via oral;
  • retal;
  • sublingual;
  • trans dérmica;
  • intranasal;
  • intramuscular e intravenosa com o uso de benzodiazepínicos, barbitúricos, propofol, anti-histamínicos, ketamina e opioides;
  • via inalatória com óxido nitroso associado a oxigênio.
oxido nitroso na odontologia

Sedação consciente: é segura?

Diferenças entre sedação consciente e anestesia geral

Dessa forma, a sedação consciente não é anestesia geral. Na anestesia geral ocorre um estado de inconsciência controlada, acompanhada por perda de reflexos de proteção, incluindo incapacidade de respiração espontânea e de resposta ao comando verbal. Ocorre uma perda reversível da consciência e de todas as formas de sensibilidade, produzidas deliberadamente, na qual as respostas reflexas estão diminuídas ou ausentes.


Quais as vantagens da sedação?

Quais as características do óxido nitroso? É seguro?

A principal característica é ser um gás com leve odor adocicado e mais pesado que o ar. É incolor, não irritante e suave. Desnatura-se acima de 450°C. É insolúvel e não combina com nenhuma estrutura do corpo humano, sendo, portanto, eliminado sem praticamente ser metabolizado. É inerte, não explosivo, não inflamável.

Farmacologicamente, é um gás anestésico geral de baixa potência e baixa solubilidade no sangue, sendo muito utilizado, pois quando inalado permite indução rápida, controle preciso da dose e rápida eliminação  por expiração, sem ser metabolizado. Não deixa nenhuma quantidade residual no organismo e assim, qualquer efeito colateral.

Contra-Indicações:

Não há contra-indicações absolutas para a utilização do óxido nitroso desde que a oferta minima de 20% de oxigênio seja mantida. As contra indicações relativas ocorrem nos seguintes casos, por exemplo:

  • Obstrução das vias aéreas superiores, como infecções respiratórias, desvio de septo nasal acentuado, hipertrofia de cornetos, rinite alérgica, amídalas e/ou adenoides hipertróficas, que dificultem ou impossibilitem a respiração nasal;
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica, como enfisema e bronquite crônica, por ter normalmente elevados níveis de CO² sanguíneo. A oferta de oxigênio pode inibir o centro respiratório, levando o paciente à apneia;
  • Severos desvios de personalidade: psiquiátricos, paranoicos, esquizofrênicos e psicóticos agudos que podem não tolerar a sedação;
  • Personalidade compulsiva, que pode não tolerar a perda de controle da situação;
  • Crianças com severo distúrbio comportamental;
  • Claustrofóbicos podem não tolerar a máscara nasal;
  • Gravidez, pois é recomendada a não utilização de nenhuma droga, principalmente durante o primeiro trimestre devido ao risco de aborto espontâneo ou má-formação fetal.
  • Exame de pneumoencefalografia há menos de uma semana, pois há rápida substituição do nitrogênio pelo óxido nitroso nas cavidades vazias do corpo, causando aumento da pressão intracraniana.
  • Paciente hidrocéfalo, portador de válvula de drenagem, deve consultar o neurologista para prevenir aumento da pressão intracraniana;

Regulamentação e utilização por dentistas no Brasil

A utilização do óxido nitroso por dentistas é regulamentada pela resolução do conselho federal de odontologia CFO-51/2004. Ela determina que o cirurgião dentista deve realizar curso de habilitação com carga horária mínima de 96 horas e posterior registro do certificado no órgão competente (conselhos federal e regional de odontologia).

Histórico

Em 1772, Joseph Priestley descobriu o óxido nitroso que foi utilizado publicamente pela primeira vez em 1844 pelo cirurgião dentista americano Horace Wells. Posteriormente, ao utilizar o “gás do riso” ou “gás hilariante” realizou uma exodontia do seu próprio dente.

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